renunciando gênero
cw: escrito de madrugada
=> contexto
e quando eu digo que renunciei gênero. com a minha moleira escancarada de 15-16 anos tinha uma sensação de culpa, como eu ousava Escolher* abandonar o fardo de viver sob a bota, como se eu pudesse só falar que ela não tem poder sobre mim. etc etc. mas eu acho que eu nunca conseguiria evitar que lésbicas não são mulheres 1.
acho que eu não consigo desvincular gênero e heterossexualidade 2. quando você não participa do segundo sistema, o primeiro também perde importância? e eu sinto que agora que homofobia é mais ou menos deselegante, existe uma forte pressão pra fingir que não, e que lésbicas são sim mulheres — faça o que quiser mas você não precisa ser sapatão.
ou seja. eu leio meu histórico de alienação e Falha em ser mulher como "indícios" transexuais — por n motivos etc etc — mas acho que ele também é tão conectado com não ser hétero que o resultado sempre é o mesmo. e obviamente tudo entra em um ourobouros e se retroalimenta. quanto mais você rejeita mais fácil fica rejeitar continuamente 3, e mais difícil fica ver um mundo em que botox preventivo faz sentido. você acharia que disforia me tornaria mais paciente (?) com dismorfia mas é tudo meio completamente alien pra mim. etc etc eu preciso ir dormir.
3 da matina e li the straight mind da monique wittig pra fazer (originalmente) um Post em meu bsky. porque acho fubango usar essa frase sem ter o seu contexto.↩
heterossexualidade (enquanto prática) é também uma demanda / papel de gênero. tudo vinculado à ideia da família e reprodução dos sistemas, claro. etc etc. acho que o conceito de oppositional sexism da julia serano em whipping girl ajuda aqui.↩
ver também welcome back alice e poder desistir de ser homem / mulher.↩